quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Refund

Desde que cheguei à Austrália venho percebendo o respeito que os australianos têm com as pessoas, mas o que me chama mais atenção é o respeito com o consumidor.

Já tive vários problemas para trocar mercadoria no Brasil, era sempre um desgaste sem fim!

Aqui na Austrália é completamente diferente, até mesmo sem a nota fiscal você consegue trocar o produto, seja ele por defeito ou simplesmente por ter se arrependido da compra.

O mais interessante é que você não precisa trocar a mercadoria por outra, basta simplesmente solicitar o dinheiro de volta, acho isso fantástico! Principalmente para as compulsivas em compras de plantão!

Já imaginou comprar um monte de roupa, chegar em casa, provar tudo e se arrepender de ter comprado algumas peças? É só voltar na loja e solicitar o dinheiro de volta. O lado negativo é seu marido exigir que você devolva "tudo" que você comprou!

Outro dia comprei um par de óculos escuro, andando mais um pouco no shopping, encontrei outro que me agradou mais, retornei a loja anterior e solicitei o “refund”, simples assim!

O nosso primeiro “refund” aconteceu logo que chegamos aqui, ficamos até confusos, sem entender o que estava acontecendo. Como assim? Devolver o dinheiro? O Eduardo havia comprado uma cama box e ela simplesmente não teve como entrar no nosso quarto, pois não passou na escada, só conseguimos subir com o colchão. Ao retornarmos para a loja para tratar da troca da cama a atendente simplesmente devolveu o dinheiro, sem nem precisarmos explicar o ocorrido. Detalhe, a cama ainda estava na nossa casa! E lá ficou por uma semana, eles devolveram o dinheiro sem nem termos devolvido o produto!

Outra coisa interessante é, se você chegar em casa e perceber que o preço da mercadoria foi cobrado indevidamente a maior, você volta na loja e eles lhe dão o produto de graça.

Por um lado, há esse imenso respeito pelo seu direito de desistir da compra, pelo outro, temos que lidar com algumas situações constrangedoras. O exemplo mais típico disso é o fato de eles considerarem normal revistar sua bolsa quando você sai de uma loja. Na primeira vez fiquei até assustada e muito chateada, achei logo que era preconceito com imigrante, mas com o tempo fui percebendo que é regra e vale para todos, independente de imigrantes ou australianos, inclusive há avisos nas portas das lojas.

Noto um certo constrangimento por parte dos funcionários com esse tipo de procedimento, mas se é regra, tem que ser cumprida.

Acredito que há um motivo para isso, você como consumidor tem direito a ir e vir com seus produtos, por exemplo, faço compras em uma loja, às vezes nem coloco em sacos plásticos (consciência com o meio ambiente, muito comum por aqui), e saio com esse produtos soltos, sem nenhuma embalagem, em um carrinho pelo shopping, podendo entrar em outras lojas sem nenhuma restrição e fazer mais compras, e assim por diante. O máximo que eles solicitam é uma olhada rápida no cupom fiscal das compras anteriores, e claro, a revista na sua bolsa.

Nada mais justo fazer valer essa regra!

domingo, 19 de outubro de 2008

Índice de prosperidade mundial

Essa semana foi divulgado o resultado de um estudo que identifica o nível de prosperidade de 104 países. Diferentemente da maioria dos estudos de qualidade de vida, que definem o resultado de cada país através de indicadores tangíveis como renda, saúde, educação, segurança, etc. esse estudo se diferencia em três formas:

Primeiro porque, segundo eles, a prosperidade é reimagesultado não só da riqueza, mas também da satisfação com a vida. Isto é, para eles, saber que determinado país possui ensino de qualidade não é suficiente, o que importa é que o ensino seja de qualidade e acessível a todos. Devido a essa abordagem, além dos indicadores padrão, vemos índices interessantes, tais como: tempo para lazer, vida em família e comunidade, liberdade de escolha, ambiente agradável, etc.

Segundo a Legatum, instituição responsável pela realização do estudo, essa abordagem tem como diferencial a demonstração das causas da prosperidade, e não os seus resultados. A partir da elaboração de uma visão mais holística de cada país, o estudo consegue evidenciar os fatores que promovem a competitividade econômica e a habitabilidade de cada país, demonstrando assim, as forças e restrições de cada um, e sua conseqüente condição de prosperar.

Além disso, o estudo demonstra claramente que tanto o governo como os indivíduos, são diretamente responsáveis por promover a prosperidade. O estudo evidencia que o governo por si só não consegue criar ou direcionar a prosperidade, mas sim encorajá-la através de políticas bem estruturadas. Os indivíduos por sua vez, têm o papel de assumir responsabilidades pela busca de desafios e oportunidades, que, acompanhadas pela liberdade de escolha, proporcionam a prosperidade nacional.

O interessante desse estudo para nós imigrantes, não é saber que a Austrália foi honrada com a primeira colocação, mas sim evidenciar um dos motivos que faz com que famílias como a minha, tenham que se mudar para o outro lado do mundo na busca de uma nova vida. O gráfico abaixo demonstra uma comparação entre os resultados do Brasil e Austrália:

prosperidade au vs br

É curioso observarmos os contrastes dos resultados alcançados pelos dois países. O mais interessante ainda, é ler esse gráfico e visualizar com bastante facilidade, tudo aquilo que viemos buscar contra o que nos fez partir. De um lado vemos a Austrália com excelente nível de governança, capital investido, inovação, educação e renda, de outro vemos o Brasil no negativo. Além disso, notamos que, para quem como nós, valoriza itens como vida em família, tempo para lazer, ambiente agradável, etc. a Australia se apresenta como um país bem mais adequado para se viver que o Brasil, visto o nossos péssimos resultados nessas áreas.

Notem, o propósito deste post não é falar mal do Brasil, mas sim trazer uma visão analítica dos motivos que levam nosso país a perder a série de jovens talentos que tem perdido. Ao contrário do que muitos devem pensar, o perfil dos brasileiros que moram aqui como residentes permanentes, não é o de fracassados que não conseguiam manter uma boa vida no Brasil. A maioria dos que estão aqui, não só tinham uma excelente condição em nosso país, como também vieram muito bem estruturados para montar uma nova vida por aqui.

Infelizmente, hoje no Brasil, nem governo nem indivíduos estão cumprindo o seu papel. De um lado vemos poucos tentando lutar e fazer a diferença através da mudança de conceitos e exemplos. Do outro vemos os que foram ou estão indo embora, não por não amar o seu país, mas por terem outras motivações, como no meu caso, a criação dos meus filhos. Nessa hora ponderamos o nosso patriotismo contra nossos valores e amor pelos nossos filhos, eu fiquei com a segunda opção.

Para mais informações sobre o estudo visite: http://www.prosperity.com/ranking.aspx

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ser pai é padecer no paraíso

Uma das tarefas mais difíceis dessa mudança esta sendo lidar com a adaptação da Ana Carolina. Como toda adolescente, ela está numa fase muito difícil. A adolescência por si só já seria difícil se estivéssemos no Brasil, imagine aqui depois dela perder tudo o que é mais valorizado por um adolescente, sua turma de amigos.

Como todo pai, vejo essa fase como desafiadora não só para o filho, mas também para nós. Nesse período que se estende por anos, vivemos constantemente entre a linha da rebeldia e sua capacidade de discordar e questionar tudo, e a da formação da personalidade. Nessa hora é comum ouvirmos coisas como "a vida é minha e eu faço dela o que eu quiser" para depois de cinco minutos ouvir "Duda, me dá dinheiro para eu ir ao shopping?". Por um lado os adolescentes já estão se firmando e "sabem" muito bem cuidar de suas vidas sozinhos, pelo outro, eles não vão a esquina sem precisar de você.

Ser pai é tentar ponderar ao máximo esse momento, pois ao mesmo tempo não podemos inibir essa vontade deles buscarem a sua independência, mas também não podemos negligenciar a direção para qual essa "independência" os está levando. Cada pai nessa hora adota a sua estratégia para assegurar que essa direção não seja apontada diretamente para "lado negro da força", eu, particularmente, tento seguir a linha da relação aberta e da reflexão. Faço isso por reconhecer que, infelizmente (ou felizmente), os pais são só um dos vários elementos que influencia o desenvolvimento dos filhos, e com essa abordagem eu espero que, caso eles resolvam adotar um conselho, que isso aconteça por escolha e não por ordem ou intimidação.

Apesar difícil, pois não há nada pior que ver seu filho sofrendo, essa fase está tendo seus pontos positivos. Assim como em todo momento de crise, é nessa hora de pararmos, avaliarmos nossa situação e refletimos sobre as oportunidades de image crescimento que crise proporciona. Se estivéssemos no Brasil, provavelmente não teríamos tido uma série de reflexões e conversas que tivemos até agora. Não tenho dúvidas que ao final todos terão ganhado muito com isso, e, enquanto isso não acontece, continuarei aqui aprendendo com meus filhos e curtindo este grande desafio de ser pai.

Como minha mãe dizia: “Ser mãe é padecer no paraíso...”